segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Bom Crioulo

Todo o nosso fazer profissional só tem sentido quando ele se relaciona diretamente com nosso prazer de, ao mesmo tempo em que produzimos resultados, obtemos satisfação e nos deleitamos com esse fazer. Quero aproveitar que este fanzine é democrático e aberto, para vir a público dizer da minha felicidade ao trabalhar, com os terceiros anos, o romance naturalista Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, indicado para o Vestibular 2010, da UFMG. Para quem não conhece a obra, uma sinopse: O escravo Amaro foge de uma fazenda, é capturado pela Marinha, treinado para os serviços de marujo e é apelidado de Bom-Crioulo pelos marinheiros. Aos trinta anos, conhece o grumete Aleixo, de 15 anos, por quem se apaixona, o navio ancora no Rio de Janeiro e ali alugam um quarto para os dois. Acometido pelo ciúme de Aleixo com D. Carolina, Amaro o mata e é preso. 
O romance Bom-Crioulo foi repudiado pela Marinha, por causa da apologia à homossexualidade nesse Órgão do Governo. De forma descritiva, como requer o Naturalismo, o autor faz a denúncia, também, do uso da chibata por mau comportamento dos marinheiros, mas, principalmente pela prática da masturbação, menos tolerada do que as práticas homoeróticas. A leitura da obra, a apresentação dos trabalhos, o debate sobre as teorias científicas do século XIX e sua implicação na inferiorização do negro, no prejuízo de sua aceitação e na sua discriminação fica evidente na obra. Atende a Lei 10639/2003. Quem não leu a obra está perdendo!!! É também uma excelente oportunidade para colocar em pauta questões relacionadas às opções sexuais e de gênero, e abrir debates. Colhemos e ainda vamos colher bons frutos. Mas o que quero mesmo ressaltar é a elegância e respeito com que nossos alunos tratam dessas questões apontadas. Reafirmo, citando um trecho de Lulu Santos: É uma juventude “de gente fina, elegante e sincera, com habilidades pra dizer mais sim do que não”. Á psicóloga Alessandra, aquele abraço!

Autor: Leni Nobre, professora de português e redação

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